27 de dezembro de 2012

Pólos turísticos e hoteleiros reclamam mais autonomia na promoção das marcas regionais


A integração dos polos turísticos em cinco regiões correspondentes às cinco regiões-plano constitui um retrocesso para o Douro, Serra da Estrela ou Fátima, consideram os responsáveis por entidades de turismo e hoteleiros que reclamam autonomia na promoção destes destinos.



“Além de uma grande marca a Serra da Estrela é a região de turismo mais antiga do país, com 55 anos, que o Governo pretende destruir integrando-a numa NUT II que ninguém sabe o que é”, disse à Lusa Jorge patrão, presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) da Serra da Estrela.
A integração deste polo no Turismo do Centro, ditada pelo projeto-lei de reestruturação das entidades regionais de turismo, coloca este destino “numa mega região que vai de Idanha- a- Nova a Ovar” diluindo a marca “numa região que diz tanto aos portugueses como o Centro de Espanha ou de qualquer outro
Ao “destruir marcar poderosas como Douro, Serra da Estrela, Oeste, Fátima e até Lisboa e Porto, esta Secretaria de Estado [do Turismo] tem mostrado um profunda incompetência e com esta lei o interior do país está a sofrer a última facada que pode ser mortal para a sua economia”.

A contestação é extensiva o polo Leiria-Fátima, que poderá ser divida, com Leiria a integrar o turismo do Centro e Fátima para Lisboa e Vale do Tejo, no vasta região que englobará igualmente o polo do Oeste.
Para a Assembleia-Geral da Turismo de Leiria-Fátima é “essencial”manter unidos os atuais concelhos que integram o polo e que as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto sejam separadas das novas entidades regionais.

No caso da ERT Douro, que a nova lei extingue e integra no Turismo do Porto e Norte, António Martinho, espera que “ a lei venha a ser alterada” e que seja reconhecida a importância da região que o ano passado ultrapassa a 440 mil dormidas anuais.

Se não forem ouvidas as preces para que seja mantido o polo, António Martinho defende que “pelo menos a tutela contratualize com a Comunidade Intermunicipal do Douro ou com associações empresariais a gestão desta marca e deste destino sob o ponto da promoção turística”.

Uma solução que o presidente da ERT vai fazer chegar “a todos os grupos parlamentares” e que espera que seja tida em conta durante o período de discussão da lei.

Mais do que as regiões em que passam a ficar integrados, a autonomia das marcas na sua promoção, sobretudo externa, é o fator que mais preocupa os operadores turísticos.

Para Pedro Pereira, administrador de dois dos quatro hotéis da marca Fátima Hotels, “ quer fiquemos no centro, com Leiria, quer no Vale do Tejo, com Lisboa, o fundamental para mim é saber quem fará a promoção externa”.

Para este empresário, “o Governo pode dar e baralhar o mapa das regiões as vezes que quiser, organizar por NUTs ou por outra divisão qualquer, mas se as regiões não tiverem autonomia para mais do que organizar o festival do caracol ou gastronómico e as marcas não tiverem capacidade de promoção externa, para nós não fazem sentido”.

Tanto mais que, reforça, António Oliveira, diretor de um grupo hoteleiro da Serra da Estrela, “é crucial termos uma promoção diferenciada e virada para o exterior, devido à crise que o país atravessa”.

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