A Câmara do
Fundão anunciou ontem, dia 16 de novembro, que está a ser realizado o trabalho
para que o bombo, instrumento musical de percussão, venha a ser classificado
como Património Imaterial Nacional e, posteriormente, na UNESCO.
"Estamos
a fazer o inventário das componentes ligadas à cultura do bombo para depois
avançarmos com a classificação do bombo a Património Imaterial Nacional. Feito
esse trabalho e capacitando-nos em termos de rede, poderemos depois olhar para
o que são outros modelos de classificação a nível internacional, nomeadamente
no que são as linhas de valorização e reconhecimento do Património Imaterial da
UNESCO”, afirmou o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes.
O autarca
falava durante a apresentação do 2.º Congresso do Bombo, que se realizará na
cidade do Fundão, nos dias 25 e 26, numa organização conjunta da Câmara do
Fundão, da associação "Tocá Rufar" e da Junta de Freguesia de
Lavacolhos.
A iniciativa
reunirá diversos responsáveis, investigadores, historiadores, etnomusicólogos e
músicos, e deverá contribuir não só para um melhor conhecimento e valorização
desta cultura musical, mas também para "cimentar" o que possa vir a
ser fundamentação das candidaturas que estão na calha.
Sobre essa
questão, Paulo Fernandes destacou as diferentes etapas que terão de ser
cumpridas, até porque estão em causa processos muito exigentes.
"Agora,
também não vamos dizer que não temos esse sonho ou essa ambição",
ressalvou.
Apontando a
forte ligação que o Fundão tem à cultura do bombo e a qual fica bem patente nos
cerca de 14 grupos de bombos que há naquele concelho do distrito de Castelo
Branco, o autarca também sublinhou a aposta que o município já tem vindo a
fazer ao longo dos anos no sentido de preservar e valorizar esta tradição e
cultura.
Entre os
exemplos apontados está a criação da Casa do Bombo, na freguesia de Lavacolhos,
estrutura museológica que integra a Rede de Casas Temáticas do Fundão e que foi
recentemente requalificada, a nível físico e de conteúdos.
"Será
um espaço de memória, mas também um espaço vivo e de partilha de saberes, pelo
que terá uma componente dedicada ao que é a construção dos bombos e dos
pífaros, bem como um espaço que poderá acolher oficinas de formação",
sublinhou a vereador da Cultura, Alcina Cerdeira.
Com um
investimento de cerca de 43 mil euros, cofinanciado pela Rede das Aldeias de
Xisto, o resultado desta requalificação será dado a conhecer numa cerimónia a
realizar no dia 25, às 18:00, que também marca a abertura oficial do 2.º Congresso
do Bombo.
Presente
nesta conferência de imprensa, Rui Júnior, da associação "Tocá Rufar,
apontou a importância deste congresso, que, além dos palestrantes, também
contará com a presença de diversos grupos.
O 1.º
Congresso do Bombo foi realizado em 2016 em Lisboa. Depois do Fundão, Amarante
e o Seixal serão as cidades que acolherão os próximos encontros, respetivamente
em 2017 e em 2018.
"Estou
confiante que esta caminhada nos levará ao reconhecimento comum de que a Casa
do Bombo é Portugal", disse Rui Júnior.

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